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Por: Gutemberg Stolze
01/08/2021 - 10:02:49

 

 

Bruno Fratus, assim que saiu da piscina após a prova dos 50m, foi até a borda oposta, aquela de onde tinha saído, e deu um beijo no bloco de partida. Quando estava esperando à frente do pódio olímpico, seu sonho de infância e uma obsessão que ele buscava desde Londres-2012, ele se ajoelhou e colocou a mão sobre a plataforma.

 

 

Nenhum brasileiro que subiu ao pódio em Tóquio entende tão bem o significado desses gestos quanto ele. Nenhum. Mayra Aguiar, com quatro Olimpíadas no currículo, já tinha subido ao pódio três vezes antes. Todos os outros brasileiros medalhistas em Tóquio-2020 até agora são estreantes nos Jogos, não tinham sofrido com o quase como Fratus sofreu.

 

 

 

Hoje estava ali eu e a piscina... Acabou! Eu e aquela raia e eu tinha de atravessar aquela raia. Minha mulher Michelle [Lenhardt] me falou antes da prova, ''Se permita e vai ser feliz".

 

 

Ele bateu na trave nas Olimpíadas de Londres em 2012 e no Rio, em 2016, se frustrou com um sexto lugar. Bruno, então, caiu em depressão e chegou ao fundo do poço, pensou em jogar tudo para o ar, mas, como ele mesmo disse, foi recuperado com amor. A emoção, o grito, o beijo em Michelle. Tudo isso foi reflexo de uma conquista que estava engasgada há 10 anos.

 

 

Bruno Fratus foi para Tóquio focado na prova dos 50m livre. O foco era tão grande que ele optou, ao lado da comissão técnica da seleção brasileira, por abrir mão da disputa do revezamento 4x100m livre. Deve ter feito falta: o time brasileiro até chegou à final da prova, mas terminou em oitavo lugar. Aquela equipe era uma das que poderia surpreender, mas as chances eram pequenas.

 

 

 

A decisão foi polêmica, mas se mostrou acertada. Em três dias, ele nadou três vezes abaixo de 21s7. Na quinta-feira, passou para a semifinal com o quarto melhor tempo, 21s67. Nas semifinais, conseguiu baixar ainda mais seu tempo ao nadar os 50m em 21s60 e carimbou de vez a vaga na grande final com a terceira melhor marca, que o colocou na raia 3.

 

 

"Foi uma coisa muito boa estar no meio do Caeleb e do Ben (Benjamin Proud, do Reino Unido), que são dois caras que saem muito bem, e é sabido que a saída não é o meu ponto forte da prova. Então, deu uma referência muito boa. Ao mesmo tempo que tinha que ter a tranquilidade, você não consegue ver nitidamente, mas você percebe a água, percebe vultos assim. Eu sabia que se chegasse a um certo ponto da prova e estivesse ao lado deles, era caixa. Iria dar bom", contou.

 

 

Ele ficou apenas atrás do francês Florent Manaudou (21s53) e do campeão olímpico Caeleb Dressel (21s42). "Eu subi ao pódio ao lado de dois dos melhores velocistas da história. Caeleb tem todo o potencial para bater os feitos de Michael Phelps um dia, quem sabe. E Florent, é Florent, simples assim. O cara é uma besta, um monstro, é um dos melhores da história, e tenho orgulho de ser amigo dele e dividir um pódio com ele".

 

 

"Vocês sabem que eu tenho uma cobrança muito grande em cima de mim. Então, às vezes o meu trabalho de psicologia é colocar o pé no freio. Tem gente que precisa acelerar. Motivar, mas eu sou um pouco o contrário, de ir com calma. E hoje, finalmente, consegui não me cobrar tanto. Foi incrível. Isso mostra o quanto você não faz a parada sozinho. Eu sou só o cara que sobe no bloco e dá o tiro".

 

 

Por - Gutemberg Stolze / Imprensananet.com

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