
Uma investigação em curso levanta suspeitas graves sobre o uso irregular de terras públicas da União para a geração de créditos de carbono por empresas ligadas a fundos associados ao Banco Master e à família do banqueiro Daniel Vorcaro.
Reportagens de alcance nacional apontam que áreas localizadas no município de Apuí, no Amazonas, classificadas oficialmente como terras públicas destinadas à reforma agrária, teriam sido utilizadas como base para projetos privados de crédito de carbono. Essas áreas, segundo o Incra, não podem ser exploradas economicamente por empresas privadas, muito menos servir de lastro financeiro para ativos ambientais.

De acordo com a apuração jornalística, empresas como Golden Green e Global Carbon, vinculadas a fundos administrados pela Reag, teriam atribuído valores bilionários a esses ativos ambientais, inflando patrimônios em cerca de R$ 45 bilhões a partir de créditos de carbono calculados sobre terras públicas.
Diante da gravidade das informações, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) solicitou oficialmente ao TCU a abertura de investigação para apurar possível uso indevido de patrimônio público, além de eventual irregularidade na valorização de ativos financeiros com base em créditos de carbono sem respaldo legal.
O Banco Master, por sua vez, declarou que não atua diretamente em projetos de créditos de carbono e negou envolvimento operacional nas iniciativas citadas. As empresas e fundos mencionados também afirmam que suas operações seguem a legislação vigente.
Até o momento, não há decisão judicial ou condenação, e o caso segue em fase de apuração. Especialistas ouvidos pelo mercado alertam, no entanto, que a eventual confirmação do uso de terras públicas para fins privados pode configurar grave irregularidade administrativa e financeira, além de comprometer a credibilidade do mercado de créditos de carbono no Brasil.
O episódio reacende o debate sobre fiscalização ambiental, governança financeira e transparência em projetos que envolvem ativos verdes e recursos públicos na Amazônia.
Por - Gutemberg Stolze / Imprensananet.com