
O HRDLEM - Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães, em Porto Seguro, continua no centro de uma crise prolongada que segue sem resposta efetiva da SESAB. Referência no atendimento de média e alta complexidade, a unidade enfrenta problemas estruturais, falta de insumos e dificuldades operacionais que impactam diretamente pacientes e profissionais de saúde.
A situação se agravou após a recente morte de uma funcionária pública municipal, fato que intensificou a cobrança por providências urgentes e maior transparência na gestão da unidade. Entretanto, o governo do estado e a 'Setes', gestora do hospital seguem calados.
Rapasse de mais de 12 milhões
Enquanto o Estado nega o repasse da prefeitura de Porto Seguro ao HRDLEM, dados oficiais apontam outra realidade. De acordo com informações públicas, o repasse mensal ao hospital ultrapassa R$ 1 milhão, somando mais de R$ 12 milhões por ano.
Os recursos têm origem no Ministério da Saúde, por meio do teto de alta complexidade destinado ao município de Porto Seguro. O valor anual total repassado pelo Governo Federal ao município é de R$ 31.911.921,42.
Desse montante, R$ 12.531.943,63 são destinados diretamente ao Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães para serviços de alta complexidade. Como esse valor é descontado na fonte, o município recebe efetivamente R$ 19.379.977,79.
Apesar disso, a gestão do hospital e o governo estadual seguem negando a existência desses repasses. No entanto, os dados são públicos e podem ser acessados por qualquer cidadão por meio do portal do Ministério da Saúde, evidenciando uma contradição que levanta questionamentos sobre transparência e responsabilidade na administração dos recursos.
Outro ponto que gera indignação é a condução das obras na unidade. Uma reforma inicialmente prevista para durar seis meses já se arrasta por mais de dois anos, com valores oficiais que ultrapassam R$ 20 milhões. Mesmo com esse investimento, não há melhorias visíveis compatíveis com o montante aplicado, enquanto persistem problemas graves como a falta de medicamentos, escassez de insumos e atrasos no pagamento de servidores.
Ainda assim, na última semana, a Secretaria Estadual de Saúde (SESAB) anunciou a liberação de novos recursos para mais uma reforma na unidade, o que amplia as dúvidas sobre a efetividade das intervenções anteriores.
Diante desse cenário, permanecem questionamentos sem respostas:
- Com reformas inacabadas, milhões já gastos, falta de medicamentos e insumos, além de uma equipe médica reduzida, por que os problemas crônicos do hospital não são resolvidos?
- Ou seria mais uma intervenção com viés eleitoreiro, considerando que a última reforma, também não concluída, teve início em período eleitoral?
Impacto nas unidades de Saúdes e UPAS
Enquanto as respostas não chegam, a população de Porto Seguro segue enfrentando as consequências de uma crise que parece longe de um desfecho concreto. Apesar do repasse milionário, a Sec. Municipal de Saúde está com suas unidade operando com demanda superior à 70% de sua capacidade, já a UPA Baianão segue com atendimento que últrapassa mais de 300% do seu atendimento normal.
Por - Gutemberg Stolze / Imprensananet.com