
Jornalista, radialista, repórter, ex-vereador de Salvador e comunicador digital, Guilherme Santos atravessou o rádio, a televisão, a política e a internet mantendo como marca principal a defesa da voz popular
O jornalista, radialista, repórter e comunicador baiano Guilherme Augusto Santos Brandão, conhecido publicamente como Guilherme Santos, completa neste sábado, 9 de maio de 2026, 80 anos de vida. Nascido em Jaguaquara, no interior da Bahia, em 9 de maio de 1946, ele construiu uma trajetória de mais de cinco décadas ligada à comunicação popular, ao jornalismo de rua, à prestação de serviço e à defesa das demandas da população.
Filho de Isaura Santos e do radialista, ator e comediante Léo Velvedo Diniz, conhecido artisticamente como Kiaus, Guilherme cresceu em um ambiente marcado pela força do rádio, do humor, da cultura popular e da palavra falada. Essa influência familiar ajudou a moldar uma das características mais marcantes de sua carreira: a capacidade de se comunicar de forma direta, acessível e próxima do público.
Antes de se consolidar como uma das vozes populares da comunicação baiana, Guilherme Santos viveu uma fase importante em São Paulo, onde teve experiências ligadas ao cinema, à produção audiovisual, à televisão e ao empreendedorismo. Atuou nos bastidores de produções artísticas, conviveu com a dinâmica dos estúdios e acumulou conhecimento técnico que, mais tarde, seria incorporado à sua atuação no rádio e na TV.
A entrada definitiva na comunicação profissional ocorreu em 1979, quando retornou à Bahia e foi convidado para cobrir o Carnaval de Salvador pela Rádio Sociedade da Bahia. A cobertura marcou o início de sua carreira como comunicador popular. A partir dali, sua voz passou a circular pelas ruas, bairros, feiras, mercados e comunidades, aproximando o jornalismo do cotidiano da população.
Guilherme Santos ajudou a consolidar uma linguagem de comunicação baseada na escuta direta do povo. Seu estilo unia improviso, humor, denúncia, serviço público e cobrança de soluções. Em uma época em que o rádio ainda era um dos principais veículos de massa, ele contribuiu para transformar o microfone em canal de participação social.
PARTICIPAÇÃO NA HISTÓRIA DO BALANÇO GERAL
Entre os capítulos mais conhecidos de sua trajetória está sua ligação com a criação e estruturação do Balanço Geral, formato que nasceu associado ao rádio baiano e depois ganhou força na televisão. O programa se tornaria uma referência do jornalismo popular, com espaço para denúncias, reclamações, cobranças e demandas comunitárias.
A proposta era simples e, ao mesmo tempo, inovadora: abrir espaço para que a população pudesse ser ouvida. Em vez de tratar o cidadão comum apenas como personagem da notícia, o formato aproximava o público da pauta, transformando problemas de bairros, reclamações de consumidores, dificuldades urbanas e denúncias sociais em temas de interesse jornalístico.
Essa linguagem, marcada pela proximidade e pela prestação de serviço, ajudou a moldar uma nova forma de fazer comunicação na Bahia. Guilherme Santos foi um dos nomes associados a esse processo, tendo contribuído para uma estética jornalística mais popular, direta e participativa.
O REPÓRTER DE RUA NA TELEVISÃO BAIANA
Na televisão, Guilherme Santos consolidou a imagem de repórter de rua. Sua atuação se destacou por levar as câmeras para os espaços onde a vida real acontecia: bairros periféricos, feiras, terminais, comunidades, ruas sem infraestrutura e locais onde a população cobrava providências do poder público.
Entre o final dos anos 1980 e o início dos anos 1990, apresentou o programa “Guilherme Santos, O Repórter Olho Vivo”, na TV Bandeirantes Bahia. A atração abordava temas como transporte, saneamento, moradia, segurança, infraestrutura urbana, defesa do consumidor e cultura popular.
O programa marcou uma fase importante do jornalismo televisivo baiano, ao dar visibilidade a problemas cotidianos e cobrar respostas das autoridades. O título “Olho Vivo” traduzia bem a proposta: um jornalismo atento ao que acontecia nas ruas e às demandas que muitas vezes não chegavam aos espaços tradicionais de poder.
Para Guilherme Santos, a câmera não deveria apenas registrar a realidade. Deveria também provocar reflexão, cobrar solução e funcionar como instrumento de cidadania.
DA COMUNICAÇÃO À POLÍTICA
A trajetória de Guilherme Santos também passou pela política institucional. Em 1988, já reconhecido como comunicador popular, foi eleito vereador de Salvador para a legislatura de 1989 a 1992, período marcado pela redemocratização brasileira e pelos primeiros anos após a promulgação da Constituição Federal de 1988.
Na Câmara Municipal de Salvador, levou para o mandato a mesma lógica que o acompanhava no rádio e na televisão: ouvir a população, traduzir suas demandas e buscar respostas práticas. Sua atuação foi ligada a temas como transporte público, cultura popular, defesa do consumidor, juventude, cidadania e moralização administrativa.
Entre as iniciativas atribuídas à sua passagem pelo Legislativo estão propostas relacionadas ao Vale-Troco, à Meia-Entrada Estudantil, à proibição do uso de metanol em combustíveis, à valorização das festas populares e à organização institucional do Carnaval de Salvador.
Sua presença na política reforçou uma marca constante em sua trajetória: a comunicação como ponte entre a população e as instituições.
ATUAÇÃO NOS BASTIDORES DA COMUNICAÇÃO POLÍTICA
Após o mandato parlamentar, Guilherme Santos seguiu atuando na vida pública, agora nos bastidores da comunicação estratégica e do marketing político. Participou de campanhas eleitorais importantes na Bahia e no Brasil, contribuindo com produção de conteúdo, leitura de cenário, construção de mensagens e aproximação entre discursos políticos e linguagem popular.
Sua atuação nesse campo foi marcada pela capacidade de traduzir temas complexos em mensagens compreensíveis para o eleitorado. Diferentemente de uma comunicação apenas publicitária, seu método partia da escuta: antes de formular discursos, buscava compreender o sentimento das ruas, das comunidades e dos grupos sociais envolvidos.
Essa experiência nos bastidores consolidou mais uma etapa de sua carreira pública, agora voltada à comunicação política e à construção de narrativas eleitorais.
RETORNO À TELEVISÃO E RECONHECIMENTO EM SALVADOR
Em 2005, Guilherme Santos retornou à televisão pela Record Bahia, novamente ligado ao universo do Balanço Geral. O retorno teve forte valor simbólico, ao recolocar nas telas uma voz associada à origem do jornalismo popular baiano.
No mesmo período, recebeu o Título de Cidadão de Salvador, concedido pela Câmara Municipal da capital baiana. A homenagem reconheceu sua contribuição à comunicação, à cidade e à defesa das demandas populares.
A volta à televisão reforçou sua imagem de comunicador de rua, com atuação voltada ao jornalismo de proximidade e à prestação de serviço.
REINVENÇÃO NA INTERNET
Depois de décadas no rádio e na televisão, Guilherme Santos iniciou uma nova fase profissional no ambiente digital. Em 2015, lançou o portal GuilhermeSantosReporter.com, concebido como uma espécie de TV web, com reportagens em vídeo, entrevistas, denúncias e conteúdos de interesse público.
A iniciativa marcou sua transição para o jornalismo independente na internet. Em vez de se afastar da comunicação diante das mudanças tecnológicas, Guilherme passou a produzir e distribuir conteúdo diretamente nas plataformas digitais.
Seu canal no YouTube, perfis em redes sociais e presença em plataformas como Facebook, Instagram, TikTok e Kwai ampliaram seu alcance e mantiveram viva a proposta que sempre orientou sua carreira: dar voz à população.
Com milhares de vídeos publicados e milhões de visualizações acumuladas, sua produção digital se tornou um acervo audiovisual relevante sobre a vida cotidiana, a política, a cultura e as demandas sociais da Bahia.
TRÊS ERAS DA COMUNICAÇÃO
Aos 80 anos, Guilherme Santos representa uma geração rara de comunicadores que atravessou três grandes fases da comunicação brasileira. No rádio, construiu sua voz pública. Na televisão, consolidou a imagem de repórter de rua. Na internet, demonstrou capacidade de reinvenção e independência.
Poucos profissionais conseguiram passar por tantas transformações mantendo a mesma identidade. No caso de Guilherme, a tecnologia mudou, mas a missão permaneceu: comunicar de forma direta, popular e comprometida com a cidadania.
Sua história acompanha a própria evolução da mídia baiana, da era radiofônica às plataformas digitais. Mais do que se adaptar aos meios, ele preservou uma convicção: a comunicação só faz sentido quando alcança as pessoas e ajuda a transformar realidades.
VIDA PESSOAL E LIGAÇÃO COM PORTO SEGURO
Além da trajetória pública, Guilherme Santos construiu uma vida familiar marcada por estabilidade, compromisso e continuidade. Casado há mais de quatro décadas, é pai de quatro filhos e mantém forte vínculo com a Bahia em diferentes fases de sua história.
Nos últimos anos, passou a residir em Porto Seguro, no sul do estado, onde segue vinculado à produção digital, à memória da comunicação baiana e à observação da vida pública.A mudança para Porto Seguro não representou aposentadoria, mas uma nova etapa de serenidade e continuidade. Mesmo aos 80 anos, Guilherme permanece associado à comunicação, agora em ritmo próprio e com presença nas plataformas digitais.
LEGADO
A trajetória de Guilherme Santos é marcada pela construção de uma comunicação voltada à escuta popular. Sua atuação no rádio, na televisão, na política e na internet demonstra a permanência de um mesmo princípio: aproximar a notícia da vida real.
Ao longo de mais de cinco décadas, seu trabalho ajudou a fortalecer o jornalismo popular baiano, valorizando a linguagem direta, a presença nas ruas, a denúncia social, a cultura popular e a participação da população.
Guilherme Santos chega aos 80 anos como um nome ligado à memória da comunicação na Bahia. Sua história atravessa microfones, câmeras, plenários, campanhas, plataformas digitais e comunidades. Mas, acima de tudo, atravessa pessoas que, em diferentes momentos, encontraram em sua voz um espaço para serem ouvidas.
Neste 9 de maio de 2026, a celebração de seus 80 anos é também o reconhecimento de uma vida dedicada à palavra, à notícia, à cidadania e à Bahia.Guilherme Santos, 80 anos: uma voz que atravessou gerações e permanece como símbolo da comunicação popular baiana.