
A prisão de 11 advogados e a condição de uma advogada foragida, durante uma operação conduzida pelo Ministério Público no Ceará, com desdobramentos também no estado de São Paulo, reacendem um dos debates mais delicados do sistema de Justiça brasileiro: o suposto uso da advocacia como instrumento para favorecer a atuação de organizações criminosas.
Segundo as investigações, os profissionais são suspeitos de integrar uma estrutura que teria utilizado prerrogativas da advocacia para facilitar a comunicação entre líderes de facções criminosas presos e integrantes que permaneciam em liberdade. A operação representa um importante avanço das ações de inteligência no enfrentamento ao crime organizado.
Nos últimos anos, as forças de segurança passaram a concentrar esforços não apenas na prisão de integrantes das facções, mas também na identificação de pessoas que, segundo as investigações, atuariam como elo para manter ativa a estrutura de comando das organizações criminosas. Caso as acusações sejam confirmadas pela Justiça, o episódio revelará uma grave distorção da função da advocacia, profissão indispensável à administração da Justiça e protegida por prerrogativas constitucionais justamente para garantir o direito de defesa do cidadão.
Modus Operandi: Os advogados extrapolavam o exercício da advocacia para transmitir ordens de chefes de facções presas (incluindo PCC e Comando Vermelho) para integrantes nas ruas.
Transmissão: As mensagens em linguagem codificada tratavam de expansão territorial, recrutamento, compra de armas e tráfico de drogas.
Alvos e Apreensões: Além dos advogados, a ação atingiu 17 líderes de organizações criminosas. Foram expedidos 29 mandados de prisão e bloqueados cerca de R$ 20 milhões das contas dos investigados.
Por - Gutemberg Stolze - Imprensananet.com